O papel do Polemista
(por Adriana Salles Gomes, via HSM UoD)
Hoje o José Simão escreve na Folha de S.Paulo: “E a última do Timão: o Corinthians jogou na semana passada com o Rio Claro, depois com o Rio Preto e, no próximo domingo, com o Rio Tietê! Rarará! Jogo sujo!” Antes que os corintianos reclamem (e os torcedores de todos os outros times me aplaudam), deixem-me explicar: o Simão é um dos maiores polemistas brasileiros da atualidade, na linha humor. Vem de uma escola bem brasileira de polemista iconoclasta, ou seja, destruidor de ícones. Acho que o pioneiro dessa escola foi o Paulo Francis e nomes como Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi têm de ser lembrados. Mas estes seguem a linha séria. As pessoas não entendem muito bem o papel do polemista. Ele quer chacoalhar as pessoas para fazê-las pensar. Às vezes fala coisas absurdas, exageradas, chuta e tem algumas verdades no meio dos fogos de artifício. Minha mãe os leva ao pé da letra, por exemplo, e fica indignada com alguma freqüência. Não é para ficar. É como se eles fossem personagens. São pessoas cultas, talentosas (o Diogo Mainardi é um grande tradutor do italiano, por exemplo; confira em Cidades Invisíveis do Ítalo Calvino), mas seu compromisso é, antes de tudo, com estimular o pensamento. Mal comparando, é como o Sócrates (o filósofo, não o jogador de futebol corintiano), que ensinava fazendo perguntas, não afirmações. Polemista, na verdade, é uma coisa bem anglo-saxã. Um polemista famoso do mundo da gestão, na minha opinião, é o Tom Peters. Ele é menos iconoclasta que a escola brasileira, mas é polemista. E no meio do seu espalhafato todo, encontram-se grandes conselhos. A Luiza Helena, do Magazine Luiza, é uma empresária que atribui algumas boas idéias suas ao Peters. Ele falou, ela pensou, ela entendeu e aplicou.
Ah! Confesso que não sou corintiana. Gargalhei com o Simão. Meu time é o campeão, sabe?